O cuscuz e a Comunidade de Vida

 Por conta de uma iniciativa de comunicação para divulgar a dedicação da primeira igreja erguida pela Comunidade Católica Shalom, decidi dormir na noite anterior na Diaconia. Fui acolhido, como sempre, com carinho, e soube que o café da manhã seria servido às 7h. Fui preparado, já com a mente focada no evento que aconteceria às 9h. Mas, ao chegar na Casa Comunitária, fui surpreendido por uma cena inesperada.

Essas casas missionárias mantêm as manhãs em silêncio sagrado. A mesa estava posta, os missionários de pé para a oração, quando um irmão tomou os Estatutos da Comunidade para ler um trecho, como é de costume. 

E, ali, senti algo dentro de mim se romper. As memórias retornaram como uma onda forte, e em um segundo voltei ao tempo em que fui parte da Comunidade de Vida Shalom. Era como se as portas do passado se abrissem e eu fui tomado de uma intensa comoção . 

Foi então que me dei conta: era meu primeiro café da manhã em uma casa comunitária desde 2008. Senti minha mente inundada de memórias e de uma profunda gratidão. Naquela manhã, fiz uma das coisas mais arriscadas da minha vida: comi cuscuz com vontade de chorar. Quem é cearense entende o risco desse momento! (rs)

Enquanto olhava de soslaio para os missionários à mesa, a imagem que me vinha à mente era a de velas acesas, consumindo-se em seus lugares. Dentro de mim, ressoava uma convicção: "Isto é a Comunidade de Vida. Isto é o coração da Obra."

Aqueles irmãos, consumindo-se no mistério de Cristo, são o pulsar da vida plena do Carisma Shalom para todas as dimensões de seu espectro multiforme . 

E então percebi, por pura misericórdia, que sou uma artéria desse sistema. Não sou uma artéria do coração, pois estas precisam ser mais robustas , não recebi tal robustez. Mas sou uma artéria de outra parte do mesmo corpo, e recebo a vida de Cristo que passa  por este coração.

Aos missionários da Comunidade de Vida, meu respeito e minha admiração. Vocês, que abriram mão de seus projetos e se entregaram à aventura de uma vida pobre, obediente e casta no coração da Obra, merecem o nosso reconhecimento, ainda que isto não seja o mais importante. Rezo por cada um de vocês, para que encontrem sempre a alegria em amar o que o Divino Esposo os ordenar. 

Comentários

  1. Bendito seja Deus por seu sim e por essa experiência. Todos merecem esse feliz cuscuz,rsrs.

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  2. Obrigado por seu Texto, Padre. Emocionei-me com a beleza e sinceridade das palavras, pois elas tocam as minhas convicções mais profundas. Deus lhe abençoe.

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